17ª Jornada de Agroecologia debate Segurança Alimentar Nutricional

sábado, 09 de junho de 2018 às 12:00:00
WhatsApp Image 2018-06-29 at 09.54.39.jpeg

Nutricionistas debatem como garantir o Direito à Segurança Alimentar Nutricional e à Soberania Alimentar na 17ª Jornada de Agroecologia

A 17ª Jornada de Agroecologia aconteceu em Curitiba entre os dias 06 e 09 de junho e teve como tema “Terra Livre de Transgênicos e sem agrotóxicos”. Possibilitou um contato maior da população da cidade com as práticas e conceitos da agroecologia. Ao todo, participaram do evento 126 feirantes e foram comercializadas 12,5 toneladas de 60 tipos de alimentos agroecológicos. O evento também contou com palestras que tiveram como foco a Segurança Alimentar Nutricional, debatendo temas relacionados ao excesso de agrotóxicos, e a Soberania Alimentar.

A socióloga, nutricionista e pesquisadora em saúde pública, Vanessa Daufenback, enfatizou a necessidade de um relacionamento harmonioso da sociedade urbana com a natureza. “A agroecologia proporciona a integração entre produção de alimentos, aproveitamento e conservação da biodiversidade e dos demais recursos naturais essenciais à vida, trazendo equilíbrio ecológico, recursos econômicos, saberes tradicionais e científicos e justiça social equitativa, empoderando agricultores e protegendo o meio ambiente e a sociedade”.

Adriella Camila Gabriela Fedyna da Silveira Furtado, nutricionista e mestranda no Programa de Pós-graduação em alimentos e nutrição da UFPR, também defendeu a agroecologia e a integração do ser humano com a natureza. “A agroecologia nos orienta a ir além do modo de produção de alimentos sem veneno, uma vez que trabalha com os ritmos da natureza, respeitando os limites do ecossistema, estimula o estabelecimento de laços culturais e sociais. Também é preciso reconhecer que somos parte da natureza e não o centro dela ou que estamos dela apartados”, explicou.

Alto uso de veneno

A contaminação dos alimentos por agrotóxicos é uma realidade confirmada por um dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), divulgado em 2015. Segundo a pesquisa, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos, e 28% desses alimentos contém substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os impactos do consumo cotidiano de alimentos contaminados ainda não são mensurados de maneira completa, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que os agrotóxicos causam 70 mil intoxicações agudas e crônicas por ano.

O Paraná é conhecido como estado forte do agronegócio, fato que o coloca na posição de terceiro maior consumidor de agrotóxicos do país. A cada ano, cerca de 96,1 milhões de quilos de agrotóxicos são utilizados no estado, de acordo com dados de 2013, divulgados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). De todo o estado, a região de Cascavel é a que mais utiliza veneno na agricultura.

Agroecologia, cuidar da casa comum

A conferência de abertura da 17ª Jornada da Agroecologia contou com o teólogo, filósofo e escritor brasileiro Leonardo Boff, que propôs uma reflexão sobre “os desafios atuais da humanidade e o cuidado com a casa comum”, no Teatro Guaíra. Para Boff, em alguns anos toda a economia mundial passará pela ecologia. “Não comemos computadores, nem engolimos automóveis, nem outras máquinas. Nós comemos aquilo que a Mãe-Terra nos oferece. Nós queremos o alimento agroecológico que a Mãe-Terra é generosa para dar a todos nós”.

Também durante a abertura foi lançado o livro “Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência?”, que reúne as reflexões de Boff provocadas pela atual crise que atinge os fundamentos de nossa sociedade. Para ele, seguramente o resultado final da crise atual é um novo pensamento sobre o Brasil e a definição de um projeto nacional, soberano, autônomo e aberto à nova fase planetária da humanidade.