Água: essencial!

"A resposta está na natureza"

quinta, 22 de março de 2018 às 08:00:00
Água

Dia 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água, e este ano, o tema para debate e reflexão, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), é “A resposta está na natureza”, sugerindo o uso de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas hídricos, que afetam diretamente o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável. 

O Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região conversou com a nutricionista e docente do Programa de Pós-graduação em Bioética da PUCPR, Caroline Filla Rosaneli, que escreveu o artigo “Água como direito humano e sua repercussão na segurança alimentar dos povos” pela Cátedra Unesco de Bioética da Universidade Nacional de Brasília (UNB).

De acordo com a nutricionista, a água é essencial para a vida e a violação do direito de acesso à ela compromete a existência humana e sua dignidade. “A crise hídrica que estamos vivendo na atualidade tem forçado a humanidade a repensar a sua concepção e relação com a água. Mas o debate não pode ser reduzido a sua utilização urbana ou no meio rural. Devemos refletir que a quantidade de água no planeta é e sempre será a mesma, e deve ser considerada como um problema das políticas públicas, com forte impacto na dimensão ética, promovendo equidade social na distribuição deste recurso público”, exalta.

Caroline lembra que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou, em 2015, que 884 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável segura e mais da metade da população mundial não tem acesso a saneamento básico seguro. “O acesso universal à água está mais comprometido entre os mais desprovidos em nosso planeta, que são por vezes devastados por essa privação. Essa insegurança põe em risco a saúde física e social das pessoas, afetando também outros direitos humanos elementares, como o direito à alimentação e à moradia adequada”, explicou. 

Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável

Na área da nutrição e alimentação, o abastecimento de água potável é um norteador à promoção de segurança alimentar e nutricional. “A concretização dos direitos à alimentação e água constitui em um imperativo ético e deve ser assegurado pelos Estados, que têm a responsabilidade de respeitar, proteger e cumprir ações necessárias para alcançar a plena realização do direito à água”, disse Caroline.

A nutricionista informa que, de acordo com os dados da FAO, atualmente existem mais de 770 milhões de pessoas em todo o mundo em condições de insegurança alimentar. Para 2050 é previsto que a população mundial aumente para 10 bilhões de habitantes e 70% dos habitantes do planeta enfrentarão deficiências no suprimento de água, repercutindo nas mais de um bilhão de pessoas que não terão água limpa e segura para alimentação básica diária, sendo que um quarto da população do planeta viverá em situação de escassez crônica de água potável. “Há de se considerar que a escala populacional que vive na extrema pobreza sofrerá maiores consequências ao acesso à água e ao alimento, e a principal causa da insegurança alimentar será a pobreza persistente”.

Soluções baseadas na natureza

Dia 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água, e este ano, o tema para debate e reflexão, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), é “A resposta está na natureza”, sugerindo o uso de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas hídricos, que afetam diretamente o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.

De acordo com a FAO, a poluição gerada pela agricultura, responsável por 70% do consumo de recursos hídricos, pode ser reduzida com metodologias de conservação que evitam a erosão do solo por meio da diversificação das culturas. Outra medida é a criação de corredores de proteção vegetal ao longo de cursos d’água, com o replantio de árvores e arbustos nativos nas margens de rios — o que também pode amortecer o impacto de enchentes em comunidades ribeirinhas. Para contornar cheias, a ONU também recomenda reconectar rios a planícies de inundação, a fim de facilitar o escoamento natural da água.

A nutricionista Caroline ressalta a importância do respeito a este recurso natural e essencial para o DHAA. “O uso sustentável da água, de modo a reconhecer que sua pureza, fertilidade e transparência, é um elemento indispensável à vida e, desse modo, deve ser considerada como um instrumento para o desenvolvimento e a paz, assegurando as liberdades e a dignidade de indivíduos e comunidades”, conclui.

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Assessoria de Imprensa
Karina Ernsen