Alergias e intolerâncias alimentares

segunda, 07 de maio de 2018 às 00:00:00
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Dia 7 de maio é o Dia Nacional de Prevenção à Alergia, criado com o objetivo de divulgar a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças alérgicas, entre elas a asma brônquica, a rinite alérgica, as alergias da pele e a alergia alimentar. O Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região (CRN-8) conversou com a nutricionista Elaine Hillesheim para saber mais sobre as alergias alimentares

Segundo Elaine, “alergia alimentar” é um termo utilizado para descrever reações adversas a alimentos dependentes de mecanismos imunológicos. “Ninguém nasce alérgico. Assim, para desenvolver qualquer alergia, é necessário que a pessoa primeiro entre em contato com a proteína causadora do problema. Por isso, as alergias alimentares podem surgir em qualquer etapa da vida e são mais comuns em crianças. Estima-se que a prevalência seja aproximadamente de 6% em menores de três anos e de 3,5% em adultos, no entanto, esses valores parecem estar aumentando”, explica.

A nutricionista diz ainda que a apresentação clínica da alergia alimentar é variável e inclui manifestações cutâneas, gastrintestinais e respiratórias. “As reações podem ser leves, como coceira nos lábios, ou em todo corpo, além de diarreia, cólicas, tosse, inchaço nos olhos e até reações graves, que podem comprometer vários órgãos e ser potencialmente fatais, como a anafilaxia”.

Os alimentos que mais costumam causar reações alérgicas em crianças são: leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixes e crustáceos. Entre os adultos, a alergia a crustáceos, sobretudo o camarão, é queixa frequente. No Brasil, alergias alimentares a castanhas, nozes e amendoim não são frequentes, no entanto, qualquer alimento pode desencadear uma reação alérgica, até mesmo carnes, frutas e verduras.

Prevenção da Alergia Alimentar

Elaine explica que o aparecimento das alergias alimentares depende da interação entre fatores genéticos e ambientais e que a única forma de diminuir a chance de ocorrer alergias alimentares na criança é o aleitamento materno exclusivo, até os seis meses de idade, sem a introdução de leite de vaca, de fórmulas infantis à base de leite de vaca ou alimentos complementares. “Já as restrições alimentares impostas às gestantes ou às nutrizes (mães que amamentam), como medida para prevenir alergias alimentares na criança, não possuem recomendação científica e podem prejudicar o desenvolvimento do feto e o estado nutricional das mães. O adiamento da introdução de alimentos específicos (por exemplo, ovo, peixe, trigo) na dieta de crianças também não é recomendado, mesmo que haja casos de alergias alimentares em familiares”, afirma.

Tratamento da Alergia Alimentar

As alergias alimentares têm como base o tratamento nutricional, sendo necessária a exclusão total da proteína causadora da alergia. A nutricionista Elaine esclarece que os medicamentos são utilizados apenas para o tratamento dos sintomas após o contato com o alimento. “A exclusão de alimentos da dieta pode ser tarefa árdua, pois muitos dos envolvidos em alergias alimentares estão presentes de modo constante na culinária habitual. O nutricionista é o profissional capacitado para o aconselhamento dietético nas alergias alimentares. Os pacientes são orientados a reconhecer todos os alimentos, preparações dietéticas e outros produtos que podem conter de forma oculta a proteína causadora da alergia, além da correta substituição dos alimentos para que não haja deficiências nutricionais. A suplementação de vitaminas e minerais pode ser necessária de acordo com o alimento excluído da dieta. Uma dieta inadequada pode levar a distúrbios nutricionais graves e irreversíveis”, explica.

APLV

Já em relação à alergia à proteína do leite de vaca (APLV), Elaine diz que acomete principalmente crianças muito jovens e é preciso especial atenção, pois, nesses casos, o leite é alimento básico para o atendimento às necessidades nutricionais. “Lactentes que apresentam alergias alimentares devem ser mantidos em aleitamento materno e a dieta da mãe analisada para verificar os possíveis alimentos causadores da alergia. Para os lactentes que, por algum motivo, não estejam sendo amamentados, ou o leite materno seja insuficiente, fórmulas infantis hipoalergênicas são recomendadas por médico ou nutricionista, após a avaliação de cada caso”, diz.

O leite de cabra e de ovelha não devem ser utilizados como substitutos do leite de vaca, devido à semelhança das proteínas. A exclusão da proteína causadora da alergia nem sempre acontecerá por toda a vida. O tempo de duração da dieta de exclusão dependerá de diversos fatores como idade do paciente ao iniciar o tratamento e sua adesão a esse, os mecanismos envolvidos nas reações imunológicas, as manifestações clínicas apresentadas e o histórico familiar para alergia. “A maioria das crianças desenvolve tolerância clínica nos primeiros três anos, após o início da dieta de exclusão, embora isso possa variar entre os indivíduos. A reintrodução dos alimentos causadores de alergia deve sempre ser realizada sob supervisão médica devido ao risco de reações graves”, fala Eliane.

Alergia Alimentar versus Intolerância Alimentar

Assim como as alergias alimentares, a intolerância alimentar é um tipo de reação adversa aos alimentos. No entanto, nesses casos, os mecanismos de resposta do organismo frente ao alimento são diferentes. Enquanto a alergia alimentar é uma reação imunológica desencadeada por proteínas presentes no alimento, a intolerância é decorrente da dificuldade do organismo em digerir, absorver ou metabolizar um alimento ou componente do alimento, geralmente carboidratos ou gorduras. Assim, os tratamentos para essas situações também são diferentes. O acompanhamento profissional é sempre recomendado para evitar distúrbios nutricionais.

A APLV e a intolerância à lactose são exemplos comumente confundidos. Veja algumas diferenças entre essas duas condições. 

 

APLV

Intolerância à lactose

O que é?

Reação imunológica do organismo estimulada pela ingestão de proteína(s) do leite de vaca

Dificuldade do organismo em digerir e absorver o açúcar do leite (lactose) devido à diminuição ou ausência de lactase (enzima que digere a lactose).

Em que idade é mais comum?

Mais comum em crianças, especialmente em lactentes. Adultos raramente apresentam APLV.

Mais comum em adultos e idosos. Pode ser temporária devido à diarreia prolongada ou doenças intestinais.

Quais os sinais e sintomas?

Além de sintomas digestivos (vômitos, cólicas, diarreia, constipação, dor abdominal, presença de sangue nas fezes, refluxo etc.), sintomas cutâneos (urticária, dermatite atópica) e respiratórios (asma, chiado no peito e rinite) são comuns. Pode ocorrer reação anafilática. Sintomas ocorrem minutos, horas ou dias após a ingestão do alimento.

Geralmente limitados ao trato gastrointestinal, como diarreia, cólicas, flatos e distensão abdominal. Sintomas ocorrem minutos ou horas após a ingestão do alimento.

Como é o tratamento?

Requer exclusão total do leite de vaca, seus derivados e outros produtos que contenham traços da proteína alergênica.

Quando presente, o aleitamento materno deve ser mantido e a dieta da mãe deve analisada. Pode ser necessário o uso de fórmulas infantis especiais.

A suplementação de vitaminas e minerais pode ser necessária para crianças e adultos.

A maioria dos pacientes não necessita excluir totalmente o leite de vaca e seus derivados da dieta. A dose de tolerância da lactose é bastante individual. Existem no mercado produtos lácteos isentos de lactose. A enzima lactase pode ser utilizada via oral para ajudar na digestão de lactose e prevenir os sintomas quando ocorre a ingestão dos alimentos.

É raro ocorrer intolerância à lactose durante o aleitamento materno, pois esse possui agentes facilitadores da digestão.

Para crianças de até 2 anos, e que não estão em aleitamento materno, existem fórmulas infantis isentas de lactose.

A suplementação de vitaminas e minerais pode ser necessária para crianças e adultos.