Lancheira Escolar: a aliada contra a obesidade infantil

sexta, 23 de fevereiro de 2018 às 16:48:00
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No Brasil, uma em cada três crianças apresenta excesso de peso e para melhorar essa realidade é preciso incentivar hábitos saudáveis desde cedo

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o Brasil teve um aumento de aproximadamente 240% no número de obesos. Isso significa que cerca de um terço das crianças apresentam o excesso de peso, o que pode levar a um quadro de obesidade precoce. Para mudar esse quadro, o Ministério da Saúde apresentou no ano passado, durante o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, em Brasília, as metas para frear o crescimento do número de pessoas com excesso de peso e obesidade no país. O encontro, que fez parte da implementação da Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição (2016/2025), incentiva o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis. A proposta é incentivar a mudança dos hábitos alimentares, tornando-os mais saudáveis, e o lanche escolar pode ser um dos aliados nessa empreitada.

Segundo a nutricionista e conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região, Juliana Bertolin, o quadro é grave e requer uma ampla conscientização, principalmente porque é uma realidade que prejudicará as gerações futuras. “Um dos fatores preocupantes são os maus hábitos alimentares. É preciso enfrentar o consumo excessivo de açúcar e, para tanto, é importante garantir que as crianças, na volta às aulas, tenham uma alimentação saudável”, diz.

O lanche escolar tem um impacto considerável para a saúde. Trata-se de uma refeição realizada diariamente e planejá-la para que seja saudável é essencial, pois uma alimentação adequada nos primeiros anos cria bons hábitos para toda a vida. Juliana acrescenta que é preciso evitar alguns alimentos e priorizar outros. “Acima de tudo, é fundamental uma alimentação balanceada, com diversidade e sem excessos, evitando principalmente os alimentos ultra processados, como salgadinhos, biscoitos, chocolates, pirulitos, gelatinas, refrigerantes e sucos artificiais”.

Planejar o lanche

A lancheira precisa conter produtos com nutrientes na sua composição natural, como leite, frutas, pães e alguns vegetais. Juliana enfatiza que é uma excelente ideia priorizar os alimentos da época, que tendem a estar mais frescos e são mais baratos. “No caso das frutas, o ideal é que haja diversidade e muitas cores. Não esqueça os sucos de frutas naturais, chás feitos em casa e água de coco, conforme o gosto, mas é importante que a água seja utilizada como a principal fonte de hidratação, principalmente para as crianças”, destaca a nutricionista.

A cantina escolar precisa estar também comprometida para promover uma alimentação saudável. O Ministério da Saúde (MS) tem, em seu acervo, a cartilha "Manual das Cantinas Escolares Saudáveis: promovendo a alimentação saudável", que oferece aos donos de cantinas escolares orientações para um cardápio mais saudável, com frutas, sucos naturais e alimentos com menos sódio e gordura.

Direto Humano à Alimentação Adequada

As mudanças culturais, socioeconômicas e tecnológicas ocorridas nas últimas décadas acabaram por criar uma realidade epidemiológica que se caracteriza pelo consumo excessivo de alimentos industrializados, compostos à base de açúcares e gorduras, com o uso indiscriminado de aditivos químicos, o que levou o comércio de alimentos, incluindo as cantinas escolares, a oferecer produtos nocivos à saúde, principalmente as guloseimas de origem industrial, que possuem baixo valor nutritivo.

Buscando a garantia da alimentação saudável e adequada nas escolas, o governo federal sancionou, em junho de 2009, no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), a Lei 11.947, que proíbe a comercialização e publicidade de alimentos não saudáveis nas cantinas das escolas. O objetivo é incentivar o consumo de alimentos variados, seguros e que respeitem a cultura e as tradições, promovendo os hábitos alimentares saudáveis. As diretrizes da alimentação escolar propostas na Lei 11.947/09 visam reduzir o consumo de refrigerantes, sucos artificiais e produtos ultraprocessados, diminuindo as ocorrências de sobrepeso e obesidade, ampliando o consumo de frutas e hortaliças e contribuindo para o crescimento e o desenvolvimento saudável dos alunos, com a melhoria do rendimento escolar.

No âmbito estadual, no Paraná, a Lei nº 14.423/04, conhecida como “Lei da Cantina Saudável”, proíbe a comercialização de vários produtos nas unidades educacionais públicas e privadas, como bebidas com quaisquer teores alcoólicos, balas, pirulitos, gomas de mascar, refrigerantes, sucos artificiais, salgadinhos industrializados ou fritos e pipocas industrializadas. Esta lei também dispõe que o estabelecimento deverá colocar à disposição dos alunos dois tipos de frutas sazonais, bem como um mural de um metro de altura por um de comprimento que deverá ser fixado em local visível, para a divulgação de informações pertinentes à alimentação saudável.

Caso a comunidade escolar perceba que uma das leis não está sendo cumprida, pode entrar em contato com o Conselho de Nutricionistas ou com a Vigilância Sanitária do seu município.

Zero Açúcar até os dois anos de idade

O Ministério da Saúde orienta que, no caso das crianças com menos de dois anos de idade, o açúcar refinado seja expressamente evitado, afinal, nesse período da vida a percepção do paladar está se estruturando e, assim, estão se formando os gostos alimentares que darão origem aos hábitos que acompanharão a pessoa por toda a sua vida. O açúcar é um carboidrato presente em inúmeros alimentos e, se por um lado, os carboidratos são a mais importante fonte de obtenção de energia do nosso corpo, consumi-los excessivamente leva costumeiramente ao sobrepeso, à obesidade e à diabetes.

Riscos

O consumo de produtos cuja base é o açúcar refinado deve ser sempre moderado, pois representa riscos evidentes à saúde. A obesidade é apenas um deles. Mas há riscos também de doenças cardiovasculares, diabetes e outras, incluindo alguns tipos de câncer. Isso sem esquecer o dano que o açúcar refinado causa aos dentes. No plano da saúde mental, também há contraindicações. A criança que consome alimentos desse tipo com frequência e em excesso tenderá a sofrer uma redução na sua capacidade de concentração, apresentar comportamento hiperativo e se mostrar usualmente irritadiça. É que a ingestão desses produtos pode ter relação com o aumento da concentração de hormônios, como a adrenalina e insulina, que levam a criança a uma excitação hiperativa.

Outro tópico a ser considerado é que o açúcar refinado possui uma propriedade indesejável sob o ponto de vista nutricional. O processo de refinamento indica que houve uma redução de seu valor nutritivo, o que significa dizer que esse tipo de açúcar, que é o mais consumido, alimenta muito pouco e, por outro lado, é uma das principais causas do sobrepeso e da obesidade. Tanto é assim que a OMS recomenda que a ingestão de açúcar refinado não ultrapasse a medida de 10% do consumo diário de calorias, o equivalente a 2000 calorias ou quatro colheres de sopa rasas.

Fonte:  Imagem: Ministério da Saúde