Nutrição é destaque no 4º Congresso Paranaense de Saúde Pública/Coletiva

quarta, 18 de julho de 2018 às 12:00:00
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Evento destaca o papel do profissional de Nutrição como fundamental na garantia da segurança alimentar para a promoção da saúde 
 
As políticas públicas relacionadas à Soberania alimentar foram o tema do encontro que abriu a programação do 1º Simpósio de Nutrição e Saúde Pública/Coletiva, na tarde da última quarta-feira, 18 de julho. O evento compõe a programação do 4º Congresso Paranaense de Saúde Pública/Coletiva, que acontece na PUC/PR e termina nesta sexta-feira com destaque especial para a nutrição como elemento básico para a efetiva promoção da saúde. Os debates se concentraram na temática da soberania alimentar e do direito humano à alimentação adequada na promoção da saúde, contando com a participação das nutricionistas Maria Teresa Gomes de Oliveira Ribas e Silvia do Amaral Rigon, com a coordenação de Regina Maria Ferreira Lang.
Para Juliana Bertolin, conselheira do CRN-8, a nutrição ser destaque no congresso é de suma importância. “Isso traz a percepção da nutrição como fundamental na promoção da saúde e nos convida a refletir sobre a base histórica e fundamental da nutrição como Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)”, disse. Segundo ela, que é nutricionista, mestre em enfermagem e coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Paranaense (Fapar), as falas do primeiro dia deixaram muito clara a importância da boa formação do nutricionista, crítica e voltada à humanidade. “E isso nos faz refletir sobre as mudanças das matrizes curriculares para 2019/2020”, observou.
Pela primeira vez a linha de nutrição foi incluída nos eixos temáticos da 4ª Mostra de Pesquisa em Saúde e teve quase 80 trabalhos inscritos. Flávia Auler, membro da Comissão Organizadora do Simpósio e coordenadora do curso de Nutrição da PUC-PR, diz que esse número é bem significativo. “Estamos muito satisfeitos com essa exposição da Nutrição dentro do 4º Congresso Paranaense de Saúde Pública/Coletiva. O objetivo principal é integrar conhecimentos e o nutricionista não poderia ficar de fora. Eu espero que na 5ª edição e em todos os próximos, a nutrição continue fazendo parte do evento”, declarou. Ela disse ainda que a atuação dos nutricionistas na saúde pública está cada vez mais presente e isso vem sendo reforçado nos currículos dos cursos despertando o interesse dos estudantes.
Durante os três dias de evento o Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região esteve presente com um stand para orientação sobre as Políticas Públicas na área da Nutrição e a atuação do conselho na sociedade.
 
Políticas públicas - Maria Teresa Gomes de Oliveira Ribas, nutricionista, mestre e professora do curso de Nutrição, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), afirmou que a nutrição é essencial na promoção da saúde e que é necessário agendar políticas públicas para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável, citando os avanços recentes nessa área, graças ao despertar da sociedade e do governo acerca da importância da boa alimentação. “Esse despertar gerou grande impacto. Em 2010, foi aprovada a Emenda Constitucional Nº 64, na qual o Direito Humano à Alimentação Adequada foi consagrado, houve a edição do Guia Alimentar para a População Brasileira e a revisão da Política Nacional de Alimentação e Nutrição”, disse.
Para ela, com o fortalecimento das políticas públicas, se obtiveram bons resultados. “Houve a redução da mortalidade infantil, que estava vinculada a altos índices de desnutrição, o estímulo ao consumo de alimentos in natura e a redução no consumo de produtos alimentícios ultraprocessados.”, disse. Maria Teresa alertou ainda para a importância do aleitamento materno e do controle dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos de origem vegetal, conhecendo e divulgando o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Anvisa.
 
Ameaças - Segundo a nutricionista e professora Silvia do Amaral Rigon, as causas da Insegurança Alimentar e Nutricional (IAN) no Brasil são a dificuldade de acesso ao alimento, aos meios e aos bens de produção, pois há forte concentração fundiária e insuficiente poder aquisitivo (renda) por parte da população. “Além disso, há a falta de acesso universal aos serviços públicos e um sistema agroalimentar estruturado segundo a lógica da mercadorização do alimento, a partir da ação de transnacionais e empresas nacionais, ameaçando a soberania alimentar e as tradições alimentares”, explicou.
Ela entende que o sistema alimentar moderno está baseado no modelo agroexportador e na industrialização dos alimentos, contribuindo para uma alimentação inadequada. “Isso em função da diminuição da biodiversidade alimentar e de outros problemas gerados por esse modelo, como a concentração do abastecimento nas grandes cadeias de supermercados, a presença de produtos processados industrializados e ultraprocessados na alimentação diária, com o consumo excessivo de calorias, açúcar, gordura e sal e o baixo consumo de alimentos in natura, como frutas, hortaliças, integrais”, ponderou.
A mesa-redonda “Ensino, pesquisa e formação em Nutrição no Paraná: realidade e desafios” reuniu as nutricionistas Flavia Auler (PUCPR), Lucievelyn Marrone, (UNIFIL) e Regina Maria Ferreira Lang (UFPR), que analisaram o ensino da Nutrição do estado do Paraná.  Ficou clara a necessidade de uma reformulação nas Diretrizes Curriculares, visando formar um profissional que atue nas diversas áreas de forma humanista e também na construção de políticas públicas, integrando o nutricionista nas redes de atenção do SUS. A mesa sugeriu ao CRN-8 a formação de uma Câmara Técnica para a análise e reforma das diretrizes Curriculares na profissão.