Nutrição na saúde digestiva

terça, 29 de maio de 2018 às 16:30:00
digestivo

O sistema digestório é responsável pela absorção de nutrientes, desintoxicação do organismo, síntese de hormônios e neurotransmissores, possuindo, ainda, função imunológica. É formado pela boca, faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, reto e órgãos anexos (glândulas salivares, dentes, língua, pâncreas, fígado e vesícula biliar).

As etapas da digestão incluem mastigação, deglutição, o movimento do alimento ao longo do trato gastrointestinal, a mistura do bolo alimentar com as secreções hepáticas e pancreáticas para formação do quimo (moléculas pequenas o suficiente que podem ser absorvidas), para então haver a distribuição para o corpo, pelo sangue ou linfa, e posterior excreção dos dejetos.

Pensando que os nutrientes são o “combustível” do nosso organismo sabe-se a importância vital do correto funcionamento de todo o trato gastrointestinal para manutenção da nossa saúde.

Desse modo, o cuidado da nossa saúde digestiva se inicia na boca, mais precisamente pela mastigação. A ineficiência deste processo predispõe a problemas de má digestão, uma vez que a etapa inicial não foi concluída, chegando aos outros órgãos como moléculas mal digeridas e prejudicando todo a sequência do processo digestivo.

Dica nutricional: É importante ter calma e paciência na hora das refeições e mastigar muito bem os alimentos. Além de otimizar o processo de digestão, o momento da refeição será mais prazeroso.

Em seguida, os alimentos parcialmente digeridos passam pelo esôfago, um tubo de 25 a 30 cm. Esse órgão possui uma estrutura chamada Esfíncter Esofágico Inferior (EEI), que funciona como uma válvula, relaxando para que o alimento passe para o estômago e contraindo para que o conteúdo ácido do estômago não retorne ao esôfago. Porém, o uso de alguns medicamentos, o excesso de peso, a ingestão de grande volume alimentar em uma única refeição e o consumo alimentar frequente de doces, frituras, café, refrigerantes e bebidas alcóolicas propiciam o relaxamento do EEI e, consequentemente, a perda do movimento de contração, facilitando o retorno do conteúdo ácido ao esôfago, desencadeando, assim, os sintomas de azia e refluxo gastroesofágico. Além disso, a ingestão destes alimentos favorecem a ocorrência de uma inflamação aguda ou crônica na mucosa do estômago, conhecida como gastrite.

Nesse contexto, grande parte da população, para aliviar os sintomas de dor e queimação, utiliza os medicamentos antiácidos e/ou inibidores de bomba de prótons, que proporcionam rápido alívio, pois neutralizam a acidez estomacal. Vale ressaltar que o uso prolongado dessa classe de medicamentos pode trazer consequências, uma vez que a acidez do suco gástrico é essencial para a digestão de proteínas e de alguns nutrientes, como, por exemplo, ferro e vitamina B12. Consequentemente, o alimento permanece por um tempo maior no estômago, gerando desconforto e sensação de empachamento. Sendo assim, não é recomendada a automedicação. No caso de haver esses sintomas, a melhor solução é procurar um médico para correto diagnóstico e tratamento.

Dicas nutricionais: É aconselhável evitar frituras, café, refrigerantes, bebidas alcóolicas e alimentos ultraprocessados. Além disso, é importante incluir alimentos ricos em nutrientes reparadores e de crescimento da mucosa como vitaminas A, B12, C e E, ácido fólico e zinco.

Para não sobrecarregar o sistema digestório, faça refeições pequenas e equilibradas ao longo do dia.

Outra dica seria consumir, como sobremesa do almoço e/ou jantar, abacaxi ou mamão papaia, pois essa frutas favorecem o processo digestivo, devido às enzimas digestivas bromelina e papaína, respectivamente, encontradas nestes alimentos. Alguns chás também possuem ação digestiva: alecrim, erva-cidreira, erva-doce e hortelã.

No intestino, a má alimentação altera a barreira de proteção contra toxinas, gerando a lesão da mucosa intestinal. Além disso, temos a microbiota intestinal, a qual é dividida em microbiota probiótica, composta por bactérias que possuem ações benéficas para o organismo, e microbiota patogênica. O desequilíbrio entre esse ecossistema microbiológico pode propiciar alterações inflamatórias e imunológicas, desencadeando alguns sintomas como diarreia, dor abdominal, flatulência, obstipação e doenças inflamatórias intestinais (por exemplo, síndrome do intestino irritável). Sendo assim, o consumo de probióticos, presentes, por exemplo, em iogurtes, estimulam o crescimento e reprodução de bactérias intestinais da microbiota probiótica. Vale lembrar que o consumo de fibras, encontrada em frutas, vegetais, cereais integrais é fundamental para manter a saúde intestinal.

Em conclusão, a saúde digestiva é fortemente influenciada pelo padrão alimentar e uma dieta equilibrada é essencial para a integridade e o bom funcionamento de todo o trato gastrointestinal. Sendo assim, é recomendado reduzir o consumo de alimentos processados e ultraprocessados, ricos em gorduras saturadas, sal e açúcares, e priorizar a ingestão de alimentos minimamente processados, como por exemplo frutas, vegetais, cereais integrais.

Gisele Farias - CRN-8 4626

Doutoranda em Clínica Cirúrgica, HC-UFPR

Especialização em Nutrição Esportiva Funcional pela VP Centro de Nutrição Funcional (2018)

Mestre em Medicina Interna pela UFPR (2014)

Especialização em Nutrição Clínica Funcional pela VP Centro de Nutrição Funcional (2010)

Nutricionista graduada pela UFPR (2007)