SMAM 2018 afirma que base para boa saúde está no aleitamento materno

quarta, 01 de agosto de 2018 às 00:00:00
amamentação

Neste ano, a Semana Mundial de Aleitamento Materno 2018 (SMAM 2018) tem como tema “A amamentação é a base da vida”. 

O objetivo é o de incentivar as mães a amamentarem seus filhos e filhas até os dois anos de idade. Essa inciativa parte da constatação de que o aleitamento materno tem inestimáveis vantagens para a criança, sendo não apenas o meio de nutrição mais saudável nos primeiros anos de vida, como também fornecendo ao organismo do bebê os anticorpos que possibilitam ao seu incipiente sistema imunológico o enfrentamento às ameaças representadas por vírus e bactérias. Além disso, diminui, para a mãe, o risco de câncer de ovário e mama. O Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região conversou com a nutricionista Carolina Belomo de Souza, especializada em Gestão da Política de Alimentação e Nutrição e mestre em Educação e Saúde pela Universidade Paris 13.

Segundo Carolina, o estímulo ao aleitamento materno é fundamental. Ela afirma que estratégias bem sucedidas de promoção, proteção e apoio à amamentação exigem medidas em diferentes níveis, tanto no plano legislativo e na implementação de políticas públicas, quanto nas atitudes e normas sociais, com a criação de condições de trabalho e emprego para mulheres e serviços de saúde para apoiar as mulheres e suas famílias. Essas estratégias são fundamentais em todos os níveis, pois a amamentação é a primeira prática alimentar a ser incentivada para a promoção da saúde, formação de hábitos alimentares saudáveis e prevenção de doenças. “Trata-se da primeira proteção de uma criança e é também o seu investimento mais duradouro nos aspectos físico, cognitivo e social. O leite humano fornece muitos nutrientes e agentes bioativos de fácil digestão e biodisponíveis para garantir o pleno crescimento e desenvolvimento”, diz.

Carolina cita a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, cujo relatório foi publicado em 2008 e aponta a introdução alimentar precoce e inadequada como algo comum no país, podendo resultar em carências e distúrbios nutricionais. “O Brasil se encontra em pleno processo de transição nutricional, no qual os indicadores de nutrição e saúde em crianças menores de cinco anos apontam a redução da desnutrição infantil, ou seja, o declínio nos déficits de peso e estatura, mas há paralelamente a evolução do excesso de peso por idade. Somam-se, ainda, as deficiências em micronutrientes em crianças menores de cinco anos, sendo que aproximadamente 17,4% possuem deficiência de vitamina A e 20,9% apresentam anemia ferropriva, que é causada pela falta de ferro no sangue”, explica.

O Aleitamento Materno é recomendado de forma exclusiva até os seis meses. Até esta idade não há necessidade de introdução de nenhum outro alimento, nem água. Segundo Carolina, é importante trabalharmos no desenvolvimento de estratégias que promovam hábitos alimentares saudáveis no primeiro ano de vida. “Estudos apontam para evidências consistentes acerca da proteção que a amamentação proporciona para a criança, evitando a mortalidade por doenças infecciosas, diarreia, otite média aguda, inteligência, enterocolite necrotizante, morte súbita e asma. Isso, além de uma forte evidência de redução de infecções do trato respiratório inferior e efeitos prováveis sobre a ocorrência de excesso de peso e diabetes”, afirma.

Alicerce da boa saúde

A Semana Mundial de Aleitamento Materno promove, entre os dias 01 e 08 de agosto de 2018, uma profunda reflexão sobre a amamentação como alicerce da boa saúde ao longo da vida. A iniciativa chama a atenção para a necessidade de uma boa base alimentar e nutricional para começar a vida. Essa base, segundo os organizadores da SMAM 2018, deve ser dada pelo leite materno, a melhor alimentação que a criança pode ter e que proporciona saúde física, mental e emocional desde o início da vida.