Sopa é jantar? Veja orientações para uma alimentação equilibrada no inverno

Sopa é jantar? Veja orientações para uma alimentação equilibrada no inverno

Com a chegada do outono e do inverno, as temperaturas mais baixas passam a influenciar diretamente os hábitos alimentares. No Paraná, mesmo sem enfrentar necessariamente um frio polar, o organismo sofre adaptações, que despertam o interesse por refeições mais quentes, calóricas e reconfortantes. Diante desse cenário, o Conselho Regional de Nutrição 8ª Região reforça a importância de manter uma alimentação equilibrada no inverno, sem descuidar da hidratação e do valor nutricional das refeições.

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Alimentação no inverno exige atenção ao equilíbrio nutricional

As temperaturas mais baixas costumam estimular o consumo de alimentos mais cremosos e calóricos, como massas, queijos, frituras, carnes gordurosas e bebidas quentes, entre elas chocolate quente, cappuccino, vinhos e licores. Por isso, CRN-8 alerta que o equilíbrio alimentar no inverno deve ser mantido.

Dessa forma, a gerente técnica do CRN-8, Julisse Klemtz Wagner, diz que o ideal é manter um padrão alimentar completo e variado. “Nessa época, é importante montar um prato equilibrado, com aproximadamente 50% de verduras e legumes, além de uma fonte de proteína e a combinação de arroz e feijão”, orienta.

Ela explica que não há necessidade de excluir alimentos específicos do cardápio. “É possível substituir o arroz por batata, mandioca ou massa em algumas refeições, por exemplo. O mais importante é manter um prato colorido, o que indica uma maior variedade de vitaminas e minerais essenciais para a saúde e para o fortalecimento da imunidade durante o inverno”, destaca.

Sopa é jantar, sim, desde que seja bem-preparada

Quando o assunto é alimentação saudável no inverno, uma dúvida frequente é se sopa pode substituir o jantar. Assim, a resposta é sim! Sopas, caldos e cremes aparecem naturalmente com maior frequência nessa época do ano e podem ser refeições completas.

A recomendação é variar a combinação de legumes e verduras, garantindo maior valor nutricional. Outro ponto importante é evitar o uso de mais de um carboidrato na mesma preparação. “Se a sopa leva batata ou mandioquinha, por exemplo, não há necessidade de adicionar massa”, orienta Julisse.

Entre as opções estão cremes de abóbora, mandioquinha, mix de legumes, sempre com a inclusão de uma fonte de proteína, que pode ser de origem animal ou vegetal. “Usar a criatividade na cozinha, escolher alimentos da estação e variar as receitas ajuda a evitar a monotonia alimentar e contribui para uma dieta equilibrada e nutritiva”, complementa.

Alimentos ricos em vitamina C ajudam a fortalecer a imunidade

Durante o inverno, o consumo de alimentos ricos em vitamina C torna-se ainda mais relevante para a saúde. Frutas cítricas, como laranja, mexerica e limão, além de verduras de folhas verde-escuras, auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico e devem fazer parte da rotina alimentar.

Vale destacar que não significa que essa é a única vitamina que deve ser consumida. “É importante lembrar que não vai ser um único alimento que vai melhorar a sua saúde nas baixas temperaturas, mas sim, a variedade e o consumo equilibrado de alimentos in natura para atingir a meta de vitaminas e minerais que o corpo precisa”, explica Julisse.

Hidratação no inverno: não espere sentir sede

Outro ponto de atenção durante o inverno é a hidratação. Com o frio, a sensação de sede diminui, o que pode levar à redução do consumo de água. No entanto, o recomendado é ingerir líquidos ao longo do dia, mesmo sem sede.

“A hidratação adequada ajuda a eliminar toxinas, transportar nutrientes e oxigênio pelo corpo e manter o funcionamento adequado do organismo. Uma dica prática é manter sempre uma garrafinha de água por perto”, orienta a nutricionista.

Portanto, manter uma alimentação equilibrada, consumir frutas regularmente, apostar em sopas nutritivas e garantir uma boa hidratação são atitudes essenciais para atravessar o inverno com mais saúde e bem-estar.

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Visita técnica ao CRN-9 fortalece a instrução de processos éticos-disciplinares do CRN-8

Visita técnica ao CRN-9 fortalece a instrução de processos éticos-disciplinares do CRN-8

A iniciativa integra o planejamento estratégico do CRN-8 voltado ao desenvolvimento contínuo da área finalística e ao aprimoramento das práticas institucionais.


Na última semana, a equipe do Conselho Regional de Nutrição – 8ª Região (CRN-8) realizou uma visita técnica ao Conselho Regional de Nutrição – 9ª Região (CRN-9), com foco no fortalecimento e na qualificação da instrução de processos éticos-disciplinares. A agenda ocorreu na sede do CRN-9, em Belo Horizonte (MG), entre os dias 01º e 2 de abril e na ocasião estava presente também o Conselho Regional de Nutrição – 11ª Região (CRN-11).

A visita teve como principal objetivo o aprimoramento técnico da equipe do CRN-8 no que se refere à apuração de denúncias e condução de processos éticos. Os trabalhos envolveram um treinamento que abordou a análise e o refinamento de fluxos administrativos, a padronização de procedimentos, o fortalecimento das estratégias de fiscalização ética e a avaliação dos resultados esperados a partir dessas ações.

O CRN-9 foi escolhido como referência no âmbito do Sistema CFN/CRN em razão de sua reconhecida atuação na condução de demandas éticas e na estruturação de processos administrativos consolidados. Nesse contexto, a visita representou uma oportunidade estratégica para a troca de experiências, o alinhamento de práticas institucionais e o fortalecimento do trabalho integrado entre os Conselhos Regionais, essencial para a valorização, a defesa e a ética no exercício da profissão de nutricionista.

As atividades foram conduzidas por Diego Vaz Gondim Faria, chefe do Setor de Ética do CRN-9, que compartilhou metodologias, rotinas de trabalho e práticas consolidadas adotadas pelo Conselho.

Participaram da visita os conselheiros Alisson David Silva, vice-presidente do CRN-8, e Vanessa Costa Penteado, secretária da Diretoria, ambos integrantes da Comissão de Ética, além da Coordenadora Técnica do CRN-8, Alessandra Carvalho Roncaglio. Representando o CRN-11, participaram da agenda a conselheira e coordenadora da Comissão de Ética, Rosângela Maria Lopes de Sousa, e a coordenadora do Setor de Ética, Maria Kemelly Lima Silva

Como resultado da visita técnica, o CRN-8 estruturará um planejamento para viabilizar um plano de ação voltado à qualificação dos processos internos.

Defender a profissão com ética, transparência e responsabilidade é um compromisso permanente do CRN-8. Nesse sentido, as visitas técnicas cumprem um papel fundamental, que consiste na identificação e adoção de boas práticas institucionais já consolidadas em outras organizações, contribuindo para a melhoria contínua da gestão, o aumento da eficiência dos processos e o fortalecimento da atuação institucional no Sistema CFN/CRN.

Quase 3 em cada 4 adultos atendidos pelo SUS no Paraná estão acima ou fora do peso ideal, aponta SISVAN

Quase 3 em cada 4 adultos atendidos pelo SUS no Paraná estão acima ou fora do peso ideal, aponta SISVAN

Dados oficiais de 2025 revelam avanço do sobrepeso e da obesidade no estado, que supera a média nacional nas formas mais avançadas do sobrepeso.


O Paraná enfrenta um cenário silencioso, mas crescente, de risco à saúde nutricional. Dados compilados e atualizados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) mostram que 73,96% dos adultos atendidos na Atenção Primária à Saúde pelo SUS no estado estão fora do peso adequado. Chama atenção o avanço da obesidade e sobrepeso no Paraná. Apenas 26,04% apresentam peso considerado saudável, percentual abaixo da média nacional (27,23%).

O levantamento, referente a 2025, analisou cerca de 2 milhões de pessoas no Paraná, compondo uma das maiores amostras populacionais acompanhadas pelo SUS no estado. Os números indicam que o avanço do excesso de peso não só continua, como se intensifica.

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Avanço da obesidade

Segundo o SISVAN, a maior parte da população adulta acompanhada pelo SUS está distribuída da seguinte forma:

Sobrepeso: 34,13%

Obesidade grau I: 23,15%

Obesidade grau II: 9,93%

Obesidade grau III: 5,27%

Baixo peso: 1,48%

Em relação a 2024, o único indicador que apresentou queda foi o baixo peso. Já as faixas de sobrepeso e obesidade registraram aumento, reforçando a tendência de agravamento do quadro nutricional no estado.

Na comparação com os dados nacionais, o Paraná chama atenção por estar acima da média brasileira em todas as categorias de obesidade, inclusive nas formas mais severas, aquelas associadas a maior mortalidade e custos assistenciais.

Aumento de peso e impacto direto na rede de saúde

O crescimento do sobrepeso e da obesidade está diretamente ligado ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. A tendência é que esse perfil populacional amplie a demanda por medicamentos, exames, consultas especializadas e hospitalizações. A elevação do risco de sobrepeso e obesidade significa a perda do potencial preventivo de doenças crônicas não transmissíveis

Além disso, uma alimentação desequilibrada pode coexistir com deficiências de micronutrientes essenciais (como ferro, zinco e vitaminas), agravando quadros de anemia, fadiga crônica e comprometimento do sistema imunológico.

Brasil segue tendência semelhante

O cenário paranaense reflete uma realidade nacional. Em todo o país, mais de 31 milhões de adultos foram avaliados pelo SISVAN, e apenas 27,2% apresentam peso adequado. Isso significa que 72,77% dos brasileiros acompanhados estão fora do peso ideal.

Em nível nacional:

34,6% apresentam sobrepeso

22,2% obesidade grau I

9,17% obesidade grau II

4,91% obesidade grau III

O que pode estar por trás desses números?

O padrão alimentar da população é um dos principais fatores associados ao avanço da obesidade e sobrepeso no Paraná. O consumo elevado de alimentos ultraprocessados, ricos em calorias, açúcar, sódio e gorduras saturadas, mas pobres em fibras e nutrientes, tem substituído refeições equilibradas.

Ainda que haja variedade alimentar, falta equilíbrio no prato. Uma composição recomendada inclui 50% de vegetais, 25% de grãos (como arroz e feijão) e 25% de proteínas, como carnes magras, ovos ou peixes. Alimentos como doces e sobremesas não precisam ser os vilões, mas devem ser consumidos com moderação, enquanto frutas e legumes precisam fazer parte da rotina diária.

CRN-8 defende a educação alimentar e a presença do nutricionista na APS

O Conselho Regional de Nutrição da 8ª Região (Paraná) alerta que os ultraprocessados devem ser desencorajados no consumo cotidiano. A entidade também defende a ampliação da presença de nutricionistas na Atenção Primária à Saúde, como estratégia para promover educação alimentar e prevenir o adoecimento precoce da população.

Segundo o conselho, investir em políticas públicas de alimentação adequada pode reduzir custos a médio e longo prazo, além de melhorar a qualidade de vida da população.

O que é o SISVAN

O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) é uma ferramenta oficial do SUS que monitora continuamente o estado nutricional e o consumo alimentar da população brasileira, com foco na Atenção Primária à Saúde. Os dados são coletados de forma contínua e servem de base para a formulação de políticas públicas em saúde e nutrição.

“Sabor chocolate”: por que rótulos mudaram e o que o consumidor precisa saber

“Sabor chocolate”: por que rótulos mudaram e o que o consumidor precisa saber

Aumento do custo do cacau leva indústria a reformular produtos, que deixam de ser classificados como chocolate segundo regras da Anvisa. Especialistas alertam para mudanças na composição e no valor nutricional.


Às vésperas da Páscoa, período em que o consumo de chocolate dispara no país, consumidores se deparam com um detalhe cada vez mais comum nas prateleiras: produtos rotulados como “sabor chocolate”, e não simplesmente chocolate. A mudança, que tem gerado memes e desconfiança nas redes sociais, esconde uma alteração relevante na composição do produto e no que chega ao prato do consumidor.

O fenômeno ocorre em meio à alta do cacau no mercado internacional, que pressiona os custos da indústria. Para manter preços competitivos e volumes de venda, fabricantes encontram alternativas legais para reformular receitas, reduzindo a quantidade do ingrediente principal.

O que diz a legislação

De acordo com a Resolução RDC nº 723/2022 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que um produto seja comercializado como “chocolate”, ele precisa conter no mínimo 25% de cacau. Abaixo desse percentual, o alimento não pode ser enquadrado na categoria, daí o uso de expressões como “sabor chocolate”.

“Com o aumento do custo do cacau, muitas empresas não conseguem manter a quantidade mínima exigida. Como resultado, esses produtos deixam de ser chocolate de fato e passam a ser classificados apenas como produtos com sabor chocolate”, explica Alisson David Silva, nutricionista e vice-presidente do Conselho Regional de Nutrição da 8ª Região (CRN-8).

Chocolate ou apenas ‘sabor’? A resposta está no rótulo

Segundo o especialista, o principal instrumento de defesa do consumidor é a leitura da lista de ingredientes, que revela a real composição do produto. “Uma dica importante é observar qual é o primeiro ingrediente da lista. Se for açúcar ou gordura vegetal, é um sinal de alerta. Isso indica que o produto tem pouca concentração de cacau e se enquadra nesses alimentos apenas saborizados”, alerta o nutricionista.

Essas versões costumam ter mais açúcar, gordura e aditivos, e menos compostos benéficos naturalmente presentes no cacau.

Chocolate não é vilão — mas nem tudo que parece chocolate é

Nutricionistas não consideram o consumo de chocolate, especialmente os com maior teor de cacau, um problema quando feito com moderação. Chocolates com 70% de cacau ou mais, por exemplo, concentram antioxidantes que podem trazer benefícios à saúde.

“O problema está nos produtos com baixa concentração de cacau, que não oferecem os mesmos benefícios nutricionais e ainda entregam excesso de açúcar e gordura. Esses, definitivamente, não podem ser considerados chocolate de verdade”, destaca Alisson.

Especialistas não consideram o chocolate branco um chocolate de verdade, já que sua composição se baseia apenas na gordura da manteiga de cacau. O consumo desse produto deve ser evitado sempre que possível.

Páscoa: excesso à vista e atenção redobrada

Com a abundância de ovos, caixas e barras nesta época do ano, o consumo excessivo aparece como um risco adicional. A recomendação é clara: moderação.

“No caso de chocolates com maior percentual de cacau, a orientação geral é consumir de 3 a 4 quadradinhos por dia. Já os produtos mais ricos em gordura e açúcar exigem ainda mais cuidado, principalmente para pessoas com diabetes, intolerância à lactose ou outras restrições alimentares”, afirma o nutricionista.

Um alerta importante envolve o público infantil. Crianças menores de dois anos não devem consumir chocolate, devido à alta concentração de açúcar. O consumo deve ser supervisionado para outras faixas etárias.

Consumir com equilíbrio — e sem pressa

Outro ponto destacado pelos especialistas é que não há necessidade de consumir os produtos de Páscoa imediatamente. Chocolates possuem validade prolongada e, quando armazenados corretamente — ao abrigo do sol e do calor excessivo —, podem ser consumidos de forma fracionada ao longo do tempo.

“Não é preciso concentrar todo o consumo em poucos dias. Isso ajuda a equilibrar a alimentação e reduz os riscos associados ao excesso”, finaliza Alisson.

Curitiba aprova a “Lei do Clima” para redução de gases do efeito estufa

Curitiba aprova a “Lei do Clima” para redução de gases do efeito estufa

Sancionada em dezembro de 2025, a lei objetiva a neutralidade de emissões até 2050 e redução mínima de 30% até 2030


A “Lei do Clima” foi sancionada pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD) no último mês de dezembro. Ela institui a Política Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas. Desta forma, a proposta é estabelecer uma meta de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, bem como estabelece diretrizes para preparar a cidade para os impactos das emergências climáticas.

A proposta da Lei do Clima organiza as estratégias em diversas áreas como mobilidade, energia, uso do solo, gestão de resíduos e recursos hídricos. Da mesma forma, cria instrumentos de monitoramento, planejamento e transparência para acompanhar a execução da política pública.

Lei do Clima na alimentação

A Lei do Clima tem toda relação com a nutrição. Quando o clima muda, a comida no prato muda. Por isso, falar sobre a atuação do profissional de nutrição nas emergências climáticas é extremamente necessário. A nova lei traz uma abordagem específica para a nutrição, localizada no inciso X, art. 4º:

Fomentar a segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento econômico sustentável por meio da agricultura urbana e do consumo consciente, de modo a reduzir as emissões ao longo das cadeias de suprimentos;

Em 2025, o tema do Evento do Dia do Nutricionista promovido pelo CRN-8 foi sobre essa temática. Assista ao evento em nosso canal do YouTube.

Leia a Lei do Clima na íntegra clicando aqui.

Acesse as Leis Estaduais na Casa Civil do Paraná.

Alimentos orgânicos são alternativas para reduzir o consumo excessivo de agrotóxicos

Alimentos orgânicos são alternativas para reduzir o consumo excessivo de agrotóxicos

No Dia Nacional de Combate à Poluição por Agrotóxicos, o CRN-8 reforça os riscos que essas substâncias podem causar à saúde a médio e longo prazo


Em 2025, o Brasil registrou o maior número de casos de contaminação por agrotóxicos da última década, com 276 ocorrências notificadas. Além disso, dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que, apenas em 2021, mais de 130 mil toneladas de ingredientes ativos foram consumidas em produtos comerciais no país. Diante do aumento no uso dessas substâncias, iniciativas de conscientização da população têm se intensificado.

No dia 11 de janeiro, celebra-se o Dia Nacional de Combate à Poluição por Agrotóxicos, data instituída em referência ao Decreto nº 98.816, de 1990, que estabeleceu critérios mais rigorosos para o registro, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e produtos afins. O objetivo é alertar para os impactos dessas substâncias quando utilizadas de forma indiscriminada e sem fiscalização efetiva, tanto no meio ambiente quanto na saúde humana.

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Afinal, o que são agrotóxicos?

O CRN-8 entrevistou Alisson David Silva, vice-presidente do Conselho e engenheiro agrônomo, que explica que os agrotóxicos também são conhecidos como defensivos agrícolas. Segundo ele, trata-se de produtos químicos desenvolvidos para o controle de pragas (de origem vegetal ou animal) e de doenças que acometem as plantas.

“Esses produtos são utilizados, em geral, porque nas lavouras ocorre o cultivo de uma única espécie vegetal, como em uma plantação de alface, por exemplo, o que facilita a atração de pragas e doenças específicas daquela cultura”, explica.

Diante desse cenário, o agricultor recorre ao uso de agrotóxicos, que podem ser aplicados de forma preventiva ou curativa. “A prática busca proteger a lavoura e permitir que a produção atinja seu potencial produtivo”, afirma Alisson.

Como consequência, os alimentos produzidos com o uso de agrotóxicos tendem a apresentar melhor aspecto visual e, por serem cultivados em larga escala, geralmente possuem menor custo para o consumidor. No entanto, há desvantagens importantes: o consumo excessivo dessas substâncias está diretamente associado ao desenvolvimento de doenças em seres humanos e à contaminação dos alimentos.

Por isso, é fundamental reforçar que a boa produtividade agrícola não depende exclusivamente do uso de agrotóxicos, podendo ser alcançada por meio de um conjunto de fatores, como qualidade do solo, condições climáticas adequadas, sementes selecionadas e o uso de tecnologias para monitoramento de pragas.

Danos associados ao consumo de agrotóxicos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso exagerado e indiscriminado de agrotóxicos pode estar associado ao desenvolvimento de doenças como câncer, problemas respiratórios, distúrbios neurológicos e algumas más-formações congênitas. Além dos impactos à saúde humana, Alisson destaca os riscos ambientais decorrentes do uso inadequado desses produtos.

Esses danos ocorrem, principalmente, quando não é possível garantir que os resíduos químicos não cheguem ao consumidor. “Quando aplicados em doses incorretas ou sem o respeito ao período de carência, os resíduos podem permanecer nos alimentos e chegar às prateleiras. Assim, não há garantia de que todos os alimentos convencionais estejam isentos de resíduos acima dos limites permitidos”, alerta.

Outro exemplo citado é a lixiviação para corpos hídricos, quando a aplicação inadequada faz com que o excesso do produto alcance rios e lençóis freáticos. Além de afetar diretamente a saúde humana, esse processo compromete ecossistemas aquáticos e toda a cadeia alimentar, já que peixes intoxicados podem transmitir essas substâncias aos seus predadores.

Alternativas ao uso de agrotóxicos e fiscalização

Sempre que possível, recomenda-se o consumo de alimentos orgânicos, que são produzidos sem o uso de agrotóxicos sintéticos, contribuindo para a redução da ingestão desses compostos pela população. Os alimentos orgânicos utilizam, em todas as etapas de produção, técnicas que respeitam o meio ambiente e priorizam a qualidade nutricional, sem o emprego de substâncias que possam causar danos à saúde.

Nesse contexto, valorizar feiras locais e conhecer os agricultores permite ao consumidor compreender melhor as práticas de manejo adotadas, além de incentivar sistemas de produção mais seguros e sustentáveis. Para que um alimento seja considerado orgânico, todo o processo produtivo deve contemplar o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando também as relações sociais e culturais envolvidas.

Conforme destaca Alisson, o principal fator relacionado à poluição por agrotóxicos é o uso indiscriminado, o que reforça a importância da fiscalização. “Essa ainda é uma das maiores dificuldades enfrentadas no país. Existem casos de agricultores que utilizam produtos contrabandeados, sem qualquer tipo de controle ou orientação técnica”, pontua.

Também são frequentes situações de uso incorreto, como o desrespeito ao período de carência, a aplicação em culturas não recomendadas e a ausência de receituário agronômico, especialmente na chamada mistura de tanque, combinação de dois ou mais produtos com o objetivo de otimizar a aplicação. Quando realizada sem conhecimento técnico, essa prática pode aumentar os riscos à saúde e ao meio ambiente.

Outro ponto relevante é a dificuldade de acesso à assistência técnica, principalmente entre pequenos agricultores. “Muitas vezes, eles não contam com a orientação de engenheiros agrônomos para realizar aplicações adequadas. Por isso, é fundamental incentivar práticas mais sustentáveis, como o manejo integrado de pragas e o uso de bioinsumos”, finaliza.

Nas atividades relacionadas à produção de alimentos e ao meio ambiente como produção de sementes, melhoramento de plantas cultivadas e controle do uso de agrotóxicos, o acompanhamento de um engenheiro agrônomo regularmente registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) é essencial para garantir segurança, legalidade e sustentabilidade nos processos produtivos.

Pedro Henrique Oliveira Macedo
Assessor de Imprensa

Conselheira do CRN-8 lança livro sobre o potencial nutricional das Plantas Alimentícias Não Convencionais

Conselheira do CRN-8 lança livro sobre o potencial nutricional das Plantas Alimentícias Não Convencionais

Obra de Kelly Franco destaca o papel das PANC na diversificação alimentar, na saúde pública e na prevenção de doenças crônicas


A conselheira do Conselho Regional de Nutrição do Paraná (CRN-8), Kelly Franco, lançou seu novo livro, Pancterapia: A Terapia Nutricional Através das PANC, durante a reunião de encerramento do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA-PR), realizada nos dias 4 e 5 de dezembro. A publicação reúne reflexões, evidências científicas e orientações práticas sobre as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), um grupo de espécies ainda pouco explorado no cotidiano alimentar brasileiro.

A obra apresenta uma análise abrangente sobre a importância das PANC para a biodiversidade, para a segurança alimentar e para estratégias de nutrição funcional. A autora revisita estudos, composições nutricionais e propriedades fitoquímicas para demonstrar como essas plantas contribuem para a prevenção de doenças crônicas, incluindo diversos tipos de câncer, temática de crescente interesse em políticas públicas de saúde e alimentação.

Além de detalhar benefícios nutricionais e usos culinários, o livro também discute os desafios decorrentes da predominância da monocultura alimentar e a necessidade de fomentar práticas educativas e políticas integradas que valorizem espécies negligenciadas ao longo do tempo. Franco reforça, na obra, que a ampliação do consumo de PANC pode favorecer tanto a diversidade alimentar quanto modelos sustentáveis de produção e abastecimento.

A publicação pode ser encomendada diretamente com a autora.

Marco do EaD e novas DCNs pautam o XVI Encontro de Coordenadores de Curso de Nutrição

Marco do EaD e novas DCNs pautam o XVI Encontro de Coordenadores de Curso de Nutrição

Evento apresentou as novas regras e promoveu uma dinâmica entre coordenadores e estudantes sobre o aprimoramento do ensino de Nutrição


Evento reuniu coordenadores de curso de todo Paraná. Foto: Pedro Macedo/CRN8

O Marco Regulatório do Ensino a Distância (Decreto nº 12.456/2025) e as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) foram tema do XVI Encontro de Coordenadores de Curso de Nutrição, organizado pelo CRN-8. O evento reuniu coordenadores de instituições públicas e privadas de todo o Paraná, estudantes e integrantes do CRN-8 Jovem. A atividade ocorreu na última quarta-feira (03), no Auditório do Campus de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná.

A presidente do CRN-8, Dra. Deise Regina Baptista, realizou a abertura do encontro e reforçou a relevância de espaços de diálogo entre os coordenadores. “Como professora por muitos anos, pude acompanhar de perto o brilho nos olhos de quem chega à universidade com sonhos, dúvidas e expectativas”, afirmou.

Ela também destacou a importância de acompanhar os impactos da tecnologia no ensino. “Nos últimos anos, a tecnologia evoluiu de maneiras diversas, aproximando pessoas e ampliando possibilidades que antes pareciam distantes. No entanto, esses avanços precisam ser acompanhados de regulação e de estudos sólidos que apontem seus impactos reais e nos permitam construir caminhos responsáveis e seguros para o ensino”, completou.

>> Confira as fotos do evento no nosso Flickr!

O Decreto que atualiza a Política de Educação a Distância foi sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em maio de 2025, visando ampliar o acesso à educação e fortalecer a qualidade da oferta no formato EaD. Em agosto do mesmo ano, foram homologadas as novas Diretrizes Curriculares Nacionais da Graduação em Nutrição, que reforçam uma formação crítica, humanista e alinhada ao direito humano à alimentação adequada.

A programação contou com uma apresentação elucidativa sobre o novo marco regulatório e diretrizes curriculares, conduzida pela nutricionista Ana Paula Garcia Fernandes e pelo vice-presidente do CRN-8, Alisson David Silva, ambos participantes diretos das discussões que envolveram o decreto. Em agosto, o vice-presidente — também coordenador do curso de Nutrição do Centro Universitário Internacional (Uninter) — esteve em Brasília com o ministro da Educação, Camilo Santana, durante a homologação das novas DCNs. Participou da discussão também a conselheira e coordenadora da Comissão de Formação Profissional do CRN-8, Tatiana Marin.

Após as falas, os coordenadores tiveram um momento de interação, onde foram divididos em grupos por diferentes áreas, como Ciências da Saúde, Ciências Exatas, Específicas da Nutrição e, em grupos, tiveram que apresentar propostas de como incorporar essas ciências na grade e atividades dos alunos de graduação.

O que muda com a nova DCN?

A homologação ocorreu por meio do Parecer CNE/CES nº 2/2025, aprovado pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. O documento estabelece as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Nutrição (bacharelado), com base no processo nº 23001.000642/2022-18.

As diretrizes ampliam e diversificam as áreas de atuação do nutricionista, incluindo alimentação coletiva, indústria, comércio, docência, pesquisa e novos campos emergentes. Também incorporam competências relacionadas à tomada de decisão, trabalho em equipe, gestão e conduta ética.

Essas competências são organizadas em três dimensões:

  • Cognitiva (conhecimentos teóricos)
  • Procedimental (habilidades práticas)
  • Atitudinal (valores, comportamentos e postura profissional)

Outra mudança relevante é a determinação de que ao menos 20% da carga horária total do curso deve ser destinada aos estágios obrigatórios em Nutrição em Saúde Coletiva, Nutrição em Alimentação Coletiva e Nutrição Clínica — todos supervisionados exclusivamente por nutricionistas. Além disso, até 5% da carga horária de atividades complementares deverá contemplar inovação, interdisciplinaridade e ampliação de conhecimentos.

O documento reforça ainda que os conteúdos privativos da profissão e a coordenação do curso devem ser obrigatoriamente conduzidos por nutricionistas. As instituições têm até dois anos para adequação.

O que prevê o novo marco regulatório do EaD?

O ano de 2025 também trouxe atualizações importantes. O Decreto nº 12.456/2025 regulamenta a oferta de Ensino a Distância na graduação, acompanhado das Portarias MEC nº 378 e 381, que dispõem sobre os formatos possíveis de oferta.

A legislação autoriza atividades presenciais, EaD, síncronas, síncronas mediadas e assíncronas, além da manutenção de polos EaD. Os formatos permitidos são:

Presencial

  • Aulas e atividades com presença física de docentes e estudantes.
  • Mínimo de 70% presencial.
  • Modalidade obrigatória para Medicina, Direito, Enfermagem, Odontologia e Psicologia.

Semipresencial

  • Combina atividades presenciais e EaD.
  • Para Engenharias, cursos da Saúde (incluso Nutrição), Agricultura e Veterinária: mínimo de 40% presencial e até 20% (presencial ou síncrona mediada).

EaD

  • Predominância de atividades remotas.
  • Até 80% à distância e mínimo de 10% + 10% de presencial ou síncrona mediada.
  • Permitido apenas para cursos que não possuem restrições legais. Saúde não entra no EaD.

As Instituições de Ensino Superior devem aplicar avaliações presenciais, com peso majoritário na nota final, estimulando habilidades discursivas, analíticas e de síntese. Também é obrigatório o controle de frequência em atividades presenciais e síncronas mediadas.

Encerramento das atividades do CRN-8 Jovem

Ao final do encontro, houve um momento de homenagem à turma do CRN-8 Jovem 2025, que encerrou oficialmente suas atividades. A conselheira do CRN-8 e coordenadora da Comissão de Formação Profissional, Tatiana Marin, agradeceu o engajamento do grupo. “Vocês foram extraordinários. Fizeram a diferença ao longo de 2025, contribuindo com entusiasmo, criatividade e compromisso. Cada ação foi conduzida com dedicação, e nós, do Conselho, reconhecemos o valor de tudo o que foi conquistado”, afirmou.

O Programa CRN-8 Jovem procura aproximar estudantes de graduação em Nutrição e de cursos técnicos em Nutrição e Dietética da atuação do Conselho. Ele também funciona como um canal de comunicação entre as Instituições de Ensino Técnico e Superior e o CRN-8, fortalecendo vínculos e promovendo participação em campanhas, ações educativas e eventos institucionais.

Ao final da cerimônia, os integrantes entregaram um quadro com fotos das atividades realizadas ao longo do ano, que será exposto na sede do CRN-8, em Curitiba.

A participação no Programa é intermediada pelas Instituições de Ensino Superior do Paraná. A inscrição é feita diretamente pelo coordenador do curso, que indica um membro titular e um suplente. As adesões ocorrem anualmente, geralmente em fevereiro, e são divulgadas nas redes sociais do Conselho.

Nutricionista orienta sobre alimentação na prevenção do câncer de próstata

Nutricionista orienta sobre alimentação na prevenção do câncer de próstata

A nutricionista oncológica Kelly Franco reforça que uma alimentação equilibrada está diretamente ligada ao cuidado e à prevenção de doenças, entre elas o câncer de próstata.


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uma relação direta entre nutrição, saúde e bem-estar físico e mental. Por isso, a alimentação adequada desempenha papel fundamental na prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), incluindo o câncer de próstata. O Novembro Azul, campanha nacional de conscientização sobre o tema, destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. No Brasil, o INCA estima que 239 mil homens poderão ser diagnosticados com a doença a cada ano entre 2023 e 2025.

A nutricionista oncológica e conselheira do CRN-8, Kelly Franco (CRN-8 2656), compartilhou algumas orientações sobre como a nutrição pode ser utilizada como ferramenta terapêutica em apoio à prevenção e ao tratamento. Ela lembra que hábitos alimentares equilibrados contribuem para a redução do risco de diversas doenças, como câncer, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, doenças cardiovasculares e obesidade.

Por que a alimentação saudável é uma forma de se proteger contra o câncer?

Segundo dados do INCA, a alimentação inadequada é a segunda principal causa prevenível de câncer. “O câncer é uma doença complexa causada por mutações genéticas, mas os fatores que levam a essas mutações são internos e externos”, explica Kelly.

Fatores internos (ou intrínsecos) incluem predisposição genética e envelhecimento. Já os fatores externos (ou extrínsecos) envolvem tabagismo, consumo de álcool, exposição a substâncias tóxicas e, principalmente, dieta não balanceada.

Embora algumas pessoas possuam predisposição genética, a maior parte dos casos surge ao longo da vida devido às influências ambientais e comportamentais. “A nutrição está na primeira linha de defesa contra o desenvolvimento do câncer”, reforça a nutricionista.

Alimentação equilibrada: o que evitar e o que priorizar?

Nenhum alimento isolado é capaz de garantir proteção total contra a doença. Contudo, determinadas escolhas alimentares podem contribuir significativamente para a saúde. Para a prevenção do câncer de próstata e de outros tipos, recomenda-se evitar ou limitar o consumo de alguns grupos de alimentos e bebidas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e o INCA, devem ser evitados:

  • carnes processadas;
  • carnes vermelhas (consumo limitado a menos de 500 g por semana, peso cozido);
  • alimentos ultraprocessados;
  • açúcar e carboidratos refinados;
  • bebidas alcoólicas.

Métodos de preparo também fazem diferença. Assar, grelhar ou fritar carnes em altas temperaturas pode gerar substâncias associadas ao aumento do risco de câncer. “Uma técnica para reduzir a formação desses compostos é marinar a carne na geladeira por pelo menos 30 minutos a duas horas antes do preparo, usando azeite, alho, cúrcuma ou alecrim”, orienta Kelly.

Ultraprocessados representam risco elevado por concentrarem calorias, gorduras não saudáveis, açúcares e sódio, além de serem pobres em fibras e nutrientes. O consumo frequente de refrigerantes, fast foods, salgadinhos e biscoitos recheados está associado a maior risco de 13 tipos de câncer, principalmente por favorecer ganho de peso e obesidade.

Aqui entra a atividade do nutricionista e a importância de uma boa dieta

Diversos alimentos possuem compostos bioativos com potencial de prevenir, bloquear ou retardar o processo de carcinogênese. Esse conjunto de estratégias é conhecido como quimioprevenção, que envolve uso de substâncias naturais ou farmacológicas para impedir ou reverter etapas de formação do câncer.

Entre os compostos de interesse estão:

  • polifenóis: presentes em maçã, chá verde, chocolate amargo, orégano;
  • carotenoides: como licopeno, luteína e beta-caroteno, encontrados em tomate, mamão, cenoura e abóbora;
  • glicosinolatos: presentes em brócolis, couve-flor e outras hortaliças crucíferas;
  • compostos sulfurados (alho e cebola);
  • lignanas (linhaça);
  • ácidos graxos essenciais (sementes ricas em ômega-3).

O licopeno, pigmento vermelho do tomate, é um dos destaques. Ele reduz radicais livres e processos inflamatórios. Sua absorção aumenta quando o alimento é aquecido e combinado com fontes de gordura saudável, como azeite de oliva, óleo de coco ou castanhas.

Recipientes plásticos: risco ou não para a saúde?

Aquecer alimentos ou armazená-los ainda quentes em recipientes plásticos pode aumentar a exposição a substâncias carcinogênicas. “O principal problema é a migração de compostos químicos do plástico para o alimento, processo acelerado pelo calor”, explica Kelly.

Como recomendação, o ideal é usar recipientes alternativos como vidro, cerâmica ou aço inoxidável para aquecer, cozinhar ou armazenar alimentos quentes. “Caso seja mantido o uso do plástico, use apenas aqueles rotulados como ‘seguro para micro-ondas, pois são projetados para liberar níveis muito baixos de químicos dentro dos limites regulatórios”, elucida a profissional. Apesar disso, é importante notar que mesmo esses modelos podem liberar microplásticos.

Outras formas que podem diminuir esses riscos é deixar o alimento esfriar antes de colocá-lo em um recipiente plástico para armazenar na geladeira ou freezer. Além disso, evitar reutilizar para aquecer recipientes de uso único como potes de margarina, iogurte ou embalagens de delivery.

Como é a dieta para um paciente com câncer de próstata?

É essencial que pacientes diagnosticados com câncer de próstata recebam acompanhamento nutricional especializado. “As necessidades variam individualmente, mas muitos já iniciam o tratamento desnutridos ou com baixo peso”, aponta Kelly. Além disso, alterações causadas pelo tratamento — como diarreia, náuseas e mudanças no paladar — também demandam ajustes alimentares.

Durante o tratamento, os objetivos principais são fortalecer o sistema imunológico, manter peso adequado e preservar a massa muscular, para reduzir efeitos colaterais.

Na prevenção e no acompanhamento nutricional, recomenda-se uma dieta balanceada e rica em alimentos de origem vegetal. “O paciente geralmente terá uma alimentação com carboidratos complexos e proteínas de alto valor biológico, priorizando carnes magras e incluindo ácidos graxos poli-insaturados”, exemplifica Kelly.

Para quem concluiu o tratamento, a dieta passa a ter foco na saúde a longo prazo e na redução do risco de recidiva. “Cada caso é único. O nutricionista oncológico deve construir um plano alimentar personalizado, considerando o tipo de câncer, o tratamento realizado, os efeitos colaterais persistentes e as necessidades específicas de cada paciente”, destaca.

A alimentação deve se manter saborosa e respeitar hábitos culturais. O pós-tratamento é uma etapa de transição para um estilo de vida mais saudável, no qual a dieta ocupa papel central. Além da nutrição adequada, recomenda-se manter atividade física regular, controlar o estresse, regular o sono, preservar a microbiota intestinal e evitar álcool e tabaco. A combinação desses hábitos reduz significativamente o risco de desenvolvimento e recorrência da doença.

Primeiro Encontro Intergeracional para Profissionais 60+ é realizada pelo CRN-8

Primeiro Encontro Intergeracional para Profissionais 60+ é realizada pelo CRN-8

O evento contou com o compartilhamento de vivências e uma oficina sobre o uso das mídias sociais


No último dia 23 de outubro, o CRN-8 realizou o Primeiro Encontro Intergeracional com profissionais 60 mais ativos no Conselho. Essa é a primeira vez que uma iniciativa focada nos profissionais de mais idade é realizada em todo Sistema CFN/CRN, tendo como objetivo incentivar a inclusão digital.

Entre as atividades realizadas estavam uma roda de conversa com o compartilhamento de experiências e vivências, bem como uma oficina sobre o uso das mídias sociais do conselho facilitada pelos membros do CRN-8 Jovem.

Para a presidente do CRN-8 e profissional 60+, Deise Regina Baptista, é uma honra estar presente para homenagear a história e a vida de profissionais que viram a história acontecer. “Quantos aqui estiveram nas primeiras turmas de um curso que a sociedade nem sabia o que era? Quantos de nós estávamos presentes quando políticas públicas começaram a ser criadas? O SISVAN, o PNAE…, e vários outros exemplos”, exemplificou a presidente durante seu discurso de abertura.

O projeto Valorizando os Profissionais 60+ surgiu como uma forma de valorizar a história de nutricionistas e técnicos em nutrição e dietética que pavimentaram o caminho. Além disso, serve como uma ação de conscientização sobre os direitos da pessoa idosa.

A conselheira, Vanessa Costa Penteado, que também é profissional 60+ e idealizadora do evento, destacou da importância da empatia com os mais velhos. “O Brasil está vivendo uma transformação profunda. Pela primeira vez na história, há mais pessoas idosas que jovens no Brasil. Isso significa que a vida está se estendendo, você tem mais tempo pela frente do que gerações anteriores tiveram. Mas ter mais anos de vida só é bom se esses anos forem vividos com qualidade, dignidade e sentido”, reforçou durante seu discurso.

De acordo com as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida deve chegar aos 81 anos em 2060, representando uma conquista da medicina moderna e das melhorias nas condições de vida. Contudo, os desafios nessa faixa etária também ficam cada vez mais visíveis.

A depressão acomete 11,1% dos idosos no Brasil, com a faixa-etária de 60 a 64 anos tendo maior incidência, e há uma alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos, com média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos anos.

Desta forma, a interação social de idosos foi associada a uma melhor função cognitiva, menos sintomas depressivos e sofrimento psíquico, melhor mobilidade e desempenho em atividades físicas, melhor saúde mental, menor incidência de demência e fragilidade, além de menores taxas de mortalidade.

Inclusão Digital

Um estudo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostra que 88% da população com 10 anos ou mais de idade acessaram a internet de forma frequente, em 2023. Entre as pessoas com mais de 60 anos, a pesquisa mostra que essa porcentagem foi de 66%. Ou seja, menor que pessoas acima de 10 anos de idade.

Mas, apesar de ser a menor taxa entre as idades, a pesquisa mostra que essa faixa etária é a que mais cresce proporcionalmente. Da última vez que a pesquisa foi feita, em 2019, essa taxa era de 44,8%.

Isso significa que os 60+ estão cada vez mais conectados e precisam se manter atualizados para utilizar a tecnologia ao seu favor. É observado também o aumento progressivo na expectativa de vida, aumentando a proporção de idosos em relação aos demais grupos etários. Este fenômeno provoca mudanças no perfil de morbimortalidade no Brasil.

A oficina proporcionada pelo CRN-8 vai de encontro com a inclusão digital para pessoas 60 mais. Uma vez que o avanço tecnológico é contínuo e cada vez mais presente em várias etapas das da vida, aqueles que não se adaptam ou tem dificuldade com os recursos digitais, podem se sentir excluso da sociedade.

O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil (2021-2030), chamado de Plano de Dant, dita a prevenção dos fatores de risco das DCNTs e para a promoção da saúde da população com vistas a dirimir desigualdades em saúde. Contudo, além das doenças crônicas mais comuns, esse plano também reafirma 5 direitos básicos.

1. Direito ao Acesso;

2. Direito ao Acompanhamento Contínuo;

3. Direito à Informação;

4. Direito à Prevenção;

5. Direito à Qualidade de Vida;

A inclusão digital para pessoas dessa faixa etária contribui diretamente com a melhora da qualidade de vida, a inclusão social, além de manter a mente ativa, bem como promover uma forma de descontração.

Participação do CRN-8 Jovem

A segunda parte do evento foi conduzida pelos acadêmicos e membros do Programa CRN-8 Jovem, que realizaram uma apresentação de guias práticos para o uso das mídias sociais do CRN-8. Entre eles: Instagram, LinkedIn, Youtube e Site.

Com isso, os Jovens promoveram o aprendizado e o engajamento desses profissionais 60+ durante o evento. Alguns realizaram a postagem em stories do Instagram marcando o CRN-8, sendo até mesmo, a primeira vez de alguns. Todo o material produzido pelo CRN-8 Jovem ficará disponível na Biblioteca do CRN-8.

A conselheira e coordenadora da Comissão de Formação Profissional (CFP) do CRN-8, Tatiana Marin, reforçou que foi uma honra poder contribuir com o evento com a participação no evento. “Quando recebemos o convite para a participação do CRN-8 Jovem nessa empreitada, a resposta foi automática: sim, vamos juntos nesse desafio! Isso porque os encontros intergeracionais entre jovens e idosos reforça o aprendizado mútuo: de lado, as experiências que marcaram o início da Nutrição; do outro lado, os conhecimentos técnicos que representam o futuro da Nutrição”, reforçou durante o seu discurso de abertura.

A convivência intergeracional possibilita o estreitamento de laços familiares, trazendo um ambiente rico de novidades, assuntos e visões de mundo. Mas, para além da promoção do aprendizado com os profissionais 60+, os jovens também ganham. Essa é uma forma de adolescentes passarem a entender melhor os idosos e valorizar as antigas formas de comunicação. O principal ensinamento é de que você não precisa ser jovem para entender o mundo dos jovens, e você não precisa envelhecer para respeitar a sabedoria dos mais velhos.

Confira fotos do evento!

Além do evento realizado esse ano, o Programa Valorizando os 60+ também tem realizado a publicação de depoimentos com profissionais. Confira os textos publicados e mais informações do programa no nosso site: https://crn8.org.br/valorizando-os-60-mais/