Alimentos orgânicos são alternativas para reduzir o consumo excessivo de agrotóxicos
No Dia Nacional de Combate à Poluição por Agrotóxicos, o CRN-8 reforça os riscos que essas substâncias podem causar à saúde a médio e longo prazo
Em 2025, o Brasil registrou o maior número de casos de contaminação por agrotóxicos da última década, com 276 ocorrências notificadas. Além disso, dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que, apenas em 2021, mais de 130 mil toneladas de ingredientes ativos foram consumidas em produtos comerciais no país. Diante do aumento no uso dessas substâncias, iniciativas de conscientização da população têm se intensificado.
No dia 11 de janeiro, celebra-se o Dia Nacional de Combate à Poluição por Agrotóxicos, data instituída em referência ao Decreto nº 98.816, de 1990, que estabeleceu critérios mais rigorosos para o registro, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e produtos afins. O objetivo é alertar para os impactos dessas substâncias quando utilizadas de forma indiscriminada e sem fiscalização efetiva, tanto no meio ambiente quanto na saúde humana.

Afinal, o que são agrotóxicos?
O CRN-8 entrevistou Alisson David Silva, vice-presidente do Conselho e engenheiro agrônomo, que explica que os agrotóxicos também são conhecidos como defensivos agrícolas. Segundo ele, trata-se de produtos químicos desenvolvidos para o controle de pragas (de origem vegetal ou animal) e de doenças que acometem as plantas.
“Esses produtos são utilizados, em geral, porque nas lavouras ocorre o cultivo de uma única espécie vegetal, como em uma plantação de alface, por exemplo, o que facilita a atração de pragas e doenças específicas daquela cultura”, explica.
Diante desse cenário, o agricultor recorre ao uso de agrotóxicos, que podem ser aplicados de forma preventiva ou curativa. “A prática busca proteger a lavoura e permitir que a produção atinja seu potencial produtivo”, afirma Alisson.
Como consequência, os alimentos produzidos com o uso de agrotóxicos tendem a apresentar melhor aspecto visual e, por serem cultivados em larga escala, geralmente possuem menor custo para o consumidor. No entanto, há desvantagens importantes: o consumo excessivo dessas substâncias está diretamente associado ao desenvolvimento de doenças em seres humanos e à contaminação dos alimentos.
Por isso, é fundamental reforçar que a boa produtividade agrícola não depende exclusivamente do uso de agrotóxicos, podendo ser alcançada por meio de um conjunto de fatores, como qualidade do solo, condições climáticas adequadas, sementes selecionadas e o uso de tecnologias para monitoramento de pragas.
Danos associados ao consumo de agrotóxicos
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso exagerado e indiscriminado de agrotóxicos pode estar associado ao desenvolvimento de doenças como câncer, problemas respiratórios, distúrbios neurológicos e algumas más-formações congênitas. Além dos impactos à saúde humana, Alisson destaca os riscos ambientais decorrentes do uso inadequado desses produtos.
Esses danos ocorrem, principalmente, quando não é possível garantir que os resíduos químicos não cheguem ao consumidor. “Quando aplicados em doses incorretas ou sem o respeito ao período de carência, os resíduos podem permanecer nos alimentos e chegar às prateleiras. Assim, não há garantia de que todos os alimentos convencionais estejam isentos de resíduos acima dos limites permitidos”, alerta.
Outro exemplo citado é a lixiviação para corpos hídricos, quando a aplicação inadequada faz com que o excesso do produto alcance rios e lençóis freáticos. Além de afetar diretamente a saúde humana, esse processo compromete ecossistemas aquáticos e toda a cadeia alimentar, já que peixes intoxicados podem transmitir essas substâncias aos seus predadores.
Alternativas ao uso de agrotóxicos e fiscalização
Sempre que possível, recomenda-se o consumo de alimentos orgânicos, que são produzidos sem o uso de agrotóxicos sintéticos, contribuindo para a redução da ingestão desses compostos pela população. Os alimentos orgânicos utilizam, em todas as etapas de produção, técnicas que respeitam o meio ambiente e priorizam a qualidade nutricional, sem o emprego de substâncias que possam causar danos à saúde.
Nesse contexto, valorizar feiras locais e conhecer os agricultores permite ao consumidor compreender melhor as práticas de manejo adotadas, além de incentivar sistemas de produção mais seguros e sustentáveis. Para que um alimento seja considerado orgânico, todo o processo produtivo deve contemplar o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando também as relações sociais e culturais envolvidas.
Conforme destaca Alisson, o principal fator relacionado à poluição por agrotóxicos é o uso indiscriminado, o que reforça a importância da fiscalização. “Essa ainda é uma das maiores dificuldades enfrentadas no país. Existem casos de agricultores que utilizam produtos contrabandeados, sem qualquer tipo de controle ou orientação técnica”, pontua.
Também são frequentes situações de uso incorreto, como o desrespeito ao período de carência, a aplicação em culturas não recomendadas e a ausência de receituário agronômico, especialmente na chamada mistura de tanque, combinação de dois ou mais produtos com o objetivo de otimizar a aplicação. Quando realizada sem conhecimento técnico, essa prática pode aumentar os riscos à saúde e ao meio ambiente.
Outro ponto relevante é a dificuldade de acesso à assistência técnica, principalmente entre pequenos agricultores. “Muitas vezes, eles não contam com a orientação de engenheiros agrônomos para realizar aplicações adequadas. Por isso, é fundamental incentivar práticas mais sustentáveis, como o manejo integrado de pragas e o uso de bioinsumos”, finaliza.
Nas atividades relacionadas à produção de alimentos e ao meio ambiente como produção de sementes, melhoramento de plantas cultivadas e controle do uso de agrotóxicos, o acompanhamento de um engenheiro agrônomo regularmente registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) é essencial para garantir segurança, legalidade e sustentabilidade nos processos produtivos.
Pedro Henrique Oliveira Macedo
Assessor de Imprensa
































































