A importância da Pesquisa Cientifica para a qualidade da Água

A importância da Pesquisa Cientifica para a qualidade da Água

Uma das formas de garantir a qualidade da água é por meio do financiamento de estudos que possam oferecer dados e bases científicas para a criação de políticas públicas.

Dia 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água e, em 2021, o tema para reflexão é “Valorizar a água”. O objetivo é sensibilizar os líderes políticos e a sociedade civil para a conservação desse bem.

O Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região – CRN-8 tem como missão defender o Direito Humano à Alimentação Saudável, contribuindo para a promoção da saúde da população, mediante a garantia do exercício profissional competente, crítico e ético. Sendo a água um elemento essencial para a nutrição humana e o abastecimento norteador à promoção de segurança alimentar e nutricional.

A nutricionista Mariana Amabile Waideman CRN-8 4188, é mestre em Segurança Alimentar e Nutricional pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Sua dissertação, “Qualidade de Água de Torneira e de Bebedouro em Escolas Públicas Estaduais de um Município do Estado do Paraná”*, defendida em 2015, pesquisou em 45 escolas, os parâmetros de qualidade da água para consumo humano de acordo com exigências da legislação brasileiras, porém incluiu dois micro-organismos sugeridos na legislação europeia, a fim de avaliar e minimizar as possibilidades de veiculação de doenças hídricas. “A água deve ser de qualidade, atender os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes, pois é uma necessidade básica, sendo uma das obrigações das instituições governamentais garantir a qualidade ofertada”.

Mariana explica que, após a coleta, as amostras foram avaliadas de acordo com parâmetros previstos em legislação: dosagem de cloro livre, coliformes totais, Escherichia coli e contagem de bactérias heterotróficas, bem como por parâmetros microbiológicos complementares, mediante pesquisa de enterococos e Pseudomonas aeruginosa, e parâmetros higiênicos-sanitários, como a verificação da limpeza semestral da caixa d’água e a troca semestral dos filtros dos bebedouros. “Nas escolas, a água pode ser utilizada para o preparo de refeições e ser consumida diretamente em pontos, como bebedouros, pelos alunos. O objetivo do estudo foi avaliar a qualidade da água de escolas públicas estaduais do município de Curitiba“.

Resultados

Os resultados revelaram que 35,5% das escolas estudadas apresentaram valores inadequados em relação aos parâmetros legais e microbiológicos complementares, sendo que em 11,11% dos resultados a presença de contaminação fecal foi diagnosticada, após emprego da pesquisa de enterococos. “As linhagens isoladas apresentaram resistência a antibióticos, considerando os alunos expostos ao consumo de água inadequada, verificou-se que 17.078 mil alunos estavam expostos ao consumo de água imprópria ao consumo. Destes, 4.328 mil podem estar ingerindo água com presença de contaminação de origem fecal. detectada apenas após a inclusão dos parâmetros complementares na avaliação. Os resultados revelaram que a inclusão de parâmetros microbiológicos complementares possibilita diagnóstico mais amplo de forma a garantir a qualidade da água e, consequentemente, minimizar danos à saúde dos escolares”.

A nutricionista conta que os dados foram apresentados à Secretaria de Estado da Educação do Paraná enfatizando a importância de se aprimorar a legislação de controle de qualidade, acrescentando os parâmetros europeus, garantindo assim, a qualidade da água.  “Os resultados da pesquisa mostraram que a inclusão de parâmetros microbiológicos complementares na análise da qualidade da água, possibilitariam um diagnóstico mais amplo da qualidade da água das escolas, sendo assim, o emprego dos parâmetros complementares analisados, poderiam ser utilizados pelos órgãos competentes para uma possível revisão das exigências microbiológicas atuais na legislação do Brasil e desta forma aprimorar o controle de qualidade da água no país, e consequentemente minimizar os riscos à saúde dos escolares”, concluiu a nutricionista.

*A dissertação do Programa de Pós-graduação em Alimentação e Nutrição da UFPR, financiado pelo projeto PROCAD/Casadinho-CAPES/CNPq foi orientada pela Profa Dra Márcia Regina Beux e Coorientado pela Profa Dra SILA Mary Rodrigues Fereira, e contou com a participação de outros pesquisadores.
O artigo completo do trabalho está aqui

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