Nutrição adequada é essencial na pós infecção pelo Covid

Nutrição adequada é essencial na pós infecção pelo Covid

A alimentação adequada e saudável é uma ferramenta importante para combater o déficit nutricional, ampliar a imunidade e fortalecer o organismo de quem passou pela Covid 19.

Uma das características da Covid-19 é a ampla variedade de sequelas ou manifestações prolongadas e persistentes após a recuperação do paciente. Muitas delas são relacionadas à nutrição, como perda de peso, dificuldade de se alimentar e diarreia, entre outros sintomas. Por isso, é essencial garantir o atendimento nutricional aos pacientes pós-covid.

A nutricionista Tatiane Winkler Marques Machado CRN-8 5406, responsável pelo acompanhamento dos pacientes com necessidades alimentares especiais no Programa Municipal de Atenção Nutricional do município de Colombo, conta que houve um aumento de solicitações de fórmulas comerciais para alimentação via sonda, suplementação para recuperação do estado nutricional e suplementos voltados para o auxílio na recuperação das lesões por pressão. “De maneira geral, os pacientes são avaliados de forma individual e, após isso, de acordo com avaliação, é realizado o diagnóstico e a prescrição nutricional, dentro dos protocolos estabelecidos em cada município, para fornecimento das fórmulas e suplementos comerciais, quando necessário. Como principal objetivo de trabalho, o nutricionista deverá sempre priorizar as orientações contendo os alimentos que possam contribuir para a melhor recuperação do paciente”.

Principais sequelas

Tatiana conta que o que mais se observa em pacientes acometidos pela forma grave da doença, que tenham passado longo período de internamento e/ou intubação é:

  • perda de peso intensa;
  • dificuldade de se alimentar;
  • disfagia: os pacientes que passaram por intubação por longos períodos podem ter dificuldade de voltar a se alimentar via oral, sendo indicada a manutenção da sonda por algum tempo;
  • úlceras (ou lesões) por pressão, devido ao longo período em que o paciente fica deitado no internamento;
  • inapetência (falta de apetite), náuseas e vômitos persistentes;
  • perda ou alteração do paladar e olfato;
  • diarreia “crônica”.

A recomendação para melhorar a ingestão alimentar é priorizar a oferta da alimentação conforme a aceitação, podendo iniciar com alimentos pastosos e retornar gradativamente, também conforme aceitação, à consistência sólida. “Fracionar as refeições e diminuir o volume pode contribuir para melhor aceitação frente a queixas de inapetência e náuseas, com a oferta de preparações hipercalóricas e hiperproteicas. Para pacientes com disfagia, deve-se adaptar a consistência e o volume da dieta, preferindo alimentos cozidos e macios, como purês, frutas tenras e sem casca, carne moída ou desfiada, macarrão, sopas e cremes, arroz mais cozido, entre outras opções”.

É importante recuperar o peso e, para isso, Tatiana recomenda alimentos calóricos, como ovos, leite, iogurtes, queijos, açaí, abacate, preparações com acréscimo de azeite de oliva, creme de leite, leite em pó, mel e geleias, entre outros. “Além de trabalhar com as estratégias para aumentar o valor calórico das refeições, adicionando leite em pó no leite, na vitamina, no café com leite ou sobre as frutas. Acrescentar frutas no iogurte e granola nas frutas. E, para recuperação da massa muscular, aumentar a oferta de proteínas, variar os pratos à base de carne, frango, peixe, ovos, miúdos, vísceras e leguminosas como feijão, grão-de-bico, ervilha e lentilha”.

Outras dicas

  • É importante estimular a hidratação. Além da água, beba sucos e chás naturais (camomila, erva doce, erva cidreira, hortelã).
  • Para estimular o paladar, use ervas, especiarias e outros temperos naturais, que realçam o sabor e o aroma dos alimentos: hortelã, gengibre, manjericão, orégano, alecrim, salsinha, coentro, canela, açafrão e outros. As frutas ácidas (acerola, abacaxi, laranja, limão, kiwi, mexerica, limão, morango, goiaba) também podem auxiliar no estímulo ao paladar, além de serem fontes de vitamina C.
  • Mastigar pequenos pedaços de gengibre no decorrer do dia.
  • Investir nos outros sentidos para estimular o prazer em comer. Alimentos de diferentes cores e cortes, bem distribuídos em um prato visualmente bonito, colorido e com alimentos bem organizados, é muito mais atrativo. No caso da audição, o organismo pode ser estimulado a partir, por exemplo, do som do alho com cebola sendo refogados. Aposte em alimentos com textura crocante e/ou que promova sons que tragam boas sensações.
  • Para pacientes com graves lesões por pressão, selecionar alimentos ricos em proteína, vitamina C, zinco, arginina, considerando a biodisponibilidade e a interação com outros nutrientes ou fármacos em uso pelo paciente.

Queda de cabelo, mastigação e densidade energéticaQuais tratamentos estão sendo realizados para amenizar esses sintomas?

A nutricionista Luísa Volpe CRN-8 3958, mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde, explica que a Covid-19 é uma doença que acomete os alvéolos pulmonares e causa a liberação de uma série de citocinas inflamatórias. Essas citocinas são responsáveis por edemas nos alvéolos, dificultando a troca gasosa e a liberação do oxigênio, podendo levar à hipóxia. Esse quadro ocasiona na diminuição da chegada de oxigênio e nutrientes aos tecidos, principalmente aos periféricos, com consequências como o enfraquecimento das unhas e a queda do cabelo. “Há ainda a febre, que está relacionada ao estado catabólico do paciente, aumento de diurese, calafrio, sensação de mal estar, quando é importante aumentar a ingestão hídrica e consumo de eletrólitos. A perda do olfato e do paladar também altera o consumo de nutrientes, pela falta de apetite, além do estresse causado pela doença”.

Para conter as inflamações é preciso aumentar os nutrientes na alimentação, pois a Covid-19 é uma doença catabólica e aumenta o gasto energético. Como a alimentação foi alterada, o organismo acaba gastando os nutrientes que estavam reservados e, por isso, é comum a sarcopenia, ou perda de musculatura. “O tratamento consiste em, durante o adoecimento, tentar fazer uma boa hidratação do paciente. Se for preciso, inserir água de coco, sucos de frutas e isotônicos. Tentar usar de estratégias para que o paciente faça suas refeições e, ao longo do dia, feche suas necessidades de macro e micronutrientes, nem que para isso se tenha que usar um módulo de proteínas para melhorar o sistema imunológico. E, obviamente, consumir frutas e verduras, alimentos de verdade, e reduzir a ingestão de alimentos inflamatórios”.

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